28/04/16

Imperfeições

Lembro-me da primeira vez que estive com pais depois de ser mãe. Do pânico que senti. De fazer o caminho todo a pensar "mas o que é que eu vou dizer a outros pais e mães, como eu? quem sou eu para ir dizer o que e como fazer? eu, uma mãe tão imperfeita...". Lembro-me que quando cheguei ainda não sabia o que ia dizer. E que depois partilhei, honestamente, o que sentia. Que as teorias nos escapam todas quando passamos pela experiência. Mas ainda assim nos ajudam a encontrar um rumo, uma orientação. A perceber melhor por onde queremos ir e que pais e mães queremos ser. Mesmo que o caminho tenha sempre tantas dúvidas, angústias e incertezas. Ainda hoje, sempre que vou trabalhar com pais faço a viagem a pensar nisto. E procuro partilhar o quão é natural e saudável sermos imperfeitos, termos inquietações e inseguranças. Todos as temos. E não há ninguém que nos possa ensinar o que é isto de ser pai e mãe. Mas podemos partilhar e refletir em conjunto. Foi isso que me desafiaram a ir fazer a Santa Marta de Penaguião, no início de abril. E foi tão bom que não posso descrever. O momento em que duas adolescentes cantaram uma música com letra escrita por uma mãe, sobre a importância das regras no desenvolvimento, foi muito emotivo e é daqueles que vai ficar sempre comigo.
Obrigada, muito obrigada, a todos os que fazem acontecer estes momentos pelo país fora (às vezes contra tudo e contra todos) e, dessa forma, me fazem também crescer e evoluir como mãe.





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