12/01/16

Sobre a paz na escola...


Parece uma utopia falar de paz na escola. Na verdade, às vezes sinto-me como um extraterrestre a defender que a escola é, deve e pode ser um lugar de paz. Não de paz no sentido que muitas vezes se entende, como sendo a ausência de conflito (um dos primeiros passos para a paz é aceitar o conflito e aprender a lidar com ele de forma pedagógica), mas no sentido do respeito por si e pelos outros. Não sou ingénua, sei bem o mundo em que vivo. Conheço a escola por dentro. Conheço os jogos e as séries que os miúdos (e os adultos…) devoram. Vejo e leio as notícias. Vivo. Todos os dias lido com situações duras, dramáticas, difíceis. Situações para as quais nem eu nem ninguém tem resposta. E, ainda assim, sei que a paz é o caminho. Todas as situações de violência com que lido têm como uma das raízes a violência do contexto em que as crianças e jovens cresceram. E falo aqui de diferentes tipos de violência, desde a física à psicológica, passando pela verbal, entre outras. Porque a violência nem sempre é visível ou “tipificada”, aliás, ela é cada vez mais, em minha opinião, abrangente, camuflada, disfarçada, escondida atrás de outros nomes. Não sei se existe mais do que no passado. Mas sei que existe muito mais do que pensamos. Que há novas formas de violência. Que é preciso estarmos muito atentos. Agir. Sei que andamos muito apáticos, acomodados e resignados. E é precisamente nestes tempos que a violência cresce, mesmo debaixo dos nossos olhos. É quando pensamos que “não há nada a fazer”, “não vale a pena”, “dá muito trabalho” ou frases que vou ouvindo com muita frequência. Demasiada frequência.
Estamos num mês especial. No primeiro mês do ano, que começa precisamente com o “Dia Mundial da Paz”, assinala-se também a 30 de janeiro o “Dia Internacional da Não Violência e da Paz nas Escolas”. O dia foi instituído em 1964 com o objetivo de alertar alunos, pais, professores e toda a sociedade para valores como o respeito, a cooperação, a solidariedade, a não-violência e a paz. Urge promover a paz na escola. Na sociedade. Se uma data for o pretexto para o fazer, façamos então. É preciso falar sobre paz, ensiná-la, mas é preciso, sobretudo, construi-la. Diariamente. Não é utopia dizer que a paz se constrói com e nos pequenos gestos de cada dia. Curiosamente, no dia em que escrevo comemora-se também o “Dia Internacional do Obrigado”. Porque não começar por aqui? Agradecer mais. Agradecer as pequenas coisas que nos acontecem todos os dias e que muitas vezes não vemos, “abafadas” por aquelas de que nos queixamos. Talvez uma das maiores mudanças de que a escola precise seja reaprender a importância de gestos e palavras simples: é aqui que pode começar a paz.

Artigo publicado no ComRegras
 
 

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