23/09/15

Ano novo...

...vida nova! Para quem trabalha na área da educação, setembro é o nosso janeiro. Celebra-se um novo recomeço, fazem-se planos, 
listas de resoluções, mudam-se literalmente vidas. Para mim é um mês de borboletas na barriga, este ano vivido de forma especial como mãe. O meu primeiro ano como encarregada de educação. Agora estou, também, “do outro lado”. Na verdade, esta ideia sempre me fez alguma confusão. Pais/encarregados de educação e professores/escola devem estar sempre do mesmo lado e não em lados opostos, como muitas vezes parece ser o discurso dominante. Uma relação positiva, coesa e construtiva entre escola e família é determinante para o bem-estar e para o sucesso das crianças e, por isso, todos nos devemos esforçar por a criar e manter. Para isto é necessário estarmos disponíveis para o diálogo e para compreendermos o “outro lado”.
Como mediadora, procuro essencialmente (re)construir pontes e espaços de diálogo, também entre professores e família. Não é fácil, hoje, ser família. Nunca o foi, é verdade, mas o mercado de trabalho atual coloca exigências à família às quais é difícil dar resposta, ao mesmo tempo que se exige presença, disponibilidade, apoio no percurso escolar. Como profissionais da educação temos que procurar entender aquilo que se exige hoje à família. Basta pensarmos em nós como pais. Quantas vezes queremos estar disponíveis, chegar a casa cedo, estar presentes e estamos em reuniões na escola até muito tarde, com uma viagem ainda longa tantas vezes pela frente? Quantos professores tiveram que abdicar do primeiro dia de escola dos filhos para estarem no primeiro dia de escola dos seus alunos? Termos a consciência que não é fácil ajuda-nos a ajustar expectativas e a sermos capazes de compreender aquilo por que passam hoje tantas famílias, sem nunca desistirmos, no entanto, de aprofundar esta relação essencial. Porque o mais importante é mesmo olharmos por e para os nossos miúdos, sejam nossos filhos ou nossos alunos.
Partilho, em jeito de votos para este ano letivo, uma história comovente, que me faz sempre pensar o quão distraídos às vezes andamos. Que um ecrã (de televisão, de computador…) nunca nos retire a capacidade de olharmos para as nossas crianças e jovens!

«Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me numa televisão. Quero ocupar o lugar dela. Viver como vive a televisão da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao meu redor… Ser levado a sério quando falo…
Quero ser o centro das atenções e ser ouvido sem interrupções e sem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a televisão recebe quando não funciona.
Ter a companhia do meu pai quando chega a casa, mesmo que esteja cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.
E ainda que os meus irmãos “lutem” para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, que eu possa divertir todos.
Senhor, não te peço muito… Só quero viver o que vive qualquer televisão!»

Um ano feliz para todos: alunos, pais e professores!

 Artigo publicado no ComRegras

 

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