13/05/15

Parar


Ontem trabalhava com uma turma precisamente a questão do bullying, sem saber ainda que o tema ia estar em todo o lado desta forma. Hoje só se fala "no" vídeo. Dizem que é viral. Eu sei o que significa viral na internet. Mas não consigo deixar de pensar na origem da palavra e de como um vírus pode ser perigoso. Recuso-me a partilhar imagens, seja em fotografia ou em vídeo, que contenham algum tipo de violência. Recuso-me. E na maior parte das vezes recuso-me até a vê-las. Sei que existe violência. Conheço-a. Não preciso de ver para saber que existe e como é terrível em todas as suas formas. Não é isso que me sensibiliza ou mobiliza mais. E acredito que não é isso que leva as pessoas a fazer algo, a mudar ou a sair do sofá (e há tantos tipos de sofá!...). Tinha decidido, aliás, não ver "o" vídeo. Mas há pouco decidi ver para perceber melhor o que gerou esta onda (normalmente deixo as ondas passar; na maior parte das vezes, infelizmente, elas são mesmo só isso e o mar volta a acalmar, quase sempre sem ter havido grande mudança). E só me faz sentir o mesmo que sinto todos os dias na escola. Todos estes miúdos precisam de ajuda. As "vítimas" e os "agressores". Há alguma coisa que está a falhar. E não adianta levantar dedos acusatórios ou atirar culpas para os pais, professores, técnicos, CPCJ, etc. Isso é o mais fácil. Mas não é nada disso que vai mudar seja o que for. Acusar e condenar só gera mais revolta, mais ódio, mais violência. Devemos todos parar (é a única coisa positiva que consigo ver na partilha deste vídeo) e refletir sobre o que andamos todos a fazer. Ou talvez mais sobre o que deixámos ou temos vindo a deixar de fazer. Com os miúdos. Uns com os outros. Connosco próprios.

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