23/09/14

Tempo de colo


Gosto do outono, sempre gostei. Ando feliz da vida com o verão e a pedir que ele se prolongue o resto do ano, mas quando o vento começa a soprar mais frio e as primeiras folhas caem das árvores, sei que os dias mais doces vão chegar e fico em êxtase a contemplar a mudança. Deve ter a ver com o meu lado mais melancólico. Há qualquer coisa de misterioso e de romântico na luz de outono, nas cores, nos sabores, nos sons. É altura de voltar ao rituais de conforto: apanhar os marmelos e fazer marmelada, vindimar, fazer bolo de maçã reineta com nozes, comer castanhas assadas com aquele prazer e aquelas saudades, voltar a acender a lareira, recuperar o casaco velhinho que mais gosto, calçar umas meias de lã grossa, ver um filme no sofá enquanto a chuva bate na janela e nos faz aninhar ainda mais...
Gosto de ir a conduzir e ver as folhas despedirem-se das árvores e conquistarem o céu, seguindo orgulhosas o seu caminho. Gosto de caminhar e de sentir as folhas estalarem debaixo dos pés (desde pequena que adoro esta sensação e este som!). Gosto da luz de fim de dia, a pedir casa e quente: outono é tempo de colo. Gosto de saber que os dias mais felizes do ano estão perto: este é também o tempo em que celebro a minha vida e a mais importante de todas, a do meu filho. Acho mesmo que foi com o nascimento dele que o outono ganhou ainda mais simbolismo. Uma folhinha que se desprendeu da mãe para se fazer ao caminho dele. Mas por agora ainda é tempo de o ter aqui como tanto gosto, ainda mais por estes dias já mais frios: ao colo, num abraço sem tempo, em que o nosso calor afasta todas as sombras que o céu lá fora traz.

Bem-vindo meu querido outono,
tinha saudades tuas!

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