03/09/14

Da mudança


Leio a Rita há muito tempo. O único livro que comprei quando estive grávida foi o dela. Confesso que na altura achei que havia coisas impossíveis em todos aqueles testemunhos, mas depois, depois, quando tive o meu filho nos braços, quando amamentei, quando ele chorava e eu não sabia o que lhe fazer, lembrei-me muitas vezes do que tinha lido no seu livro. Regressei a ele muitas vezes. Tantas com lágrimas. Como que a procurar um apoio. Uma certeza que ia correr tudo bem. E correu. Mesmo com todas as dúvidas, angústias e imperfeições, tem corrido tudo bem. Cada vez leio menos blogs, estou muito mais seletiva e tenho muito menos tempo e disponibilidade como tinha antes de ser mãe (e adoro isso!). Mas todos os dias a leio. Porque a Rita é mesmo uma lufada de ar fresco, um sorriso em cada fotografia linda que tira, uma inspiração de tão humilde, verdadeira e alegre que é (ela e os filhos, encantadores!). Eu não a conheço, mas sinto. É por isso também que este texto não me sai da cabeça. E que me tocou tanto. Porque passei as férias a pensar que não tinha tempo suficiente para amar e viver o meu filho. E eu até tenho conseguido estar muito em casa e acompanhar o crescimento dele, por opção. Mas mesmo assim parece que não chega. Ser freelancer e trabalhar em casa nem sempre é fácil. É preciso gerir muita coisa, com os horários da formação e as viagens, e há sempre trabalho - mails para responder, posts para escrever, fazer cartazes, lançar formação e tantas outras coisas que não imaginamos quando temos um emprego (eu pelo menos não imaginava). Aproveita-se ao máximo o tempo de sesta e os momentos em que ele brinca para trabalhar, mas depois muitas vezes parece o caos. Ele quer brincar, eu quero enviar um e-mail, ele precisa de mudar a fralda e eu tenho o telemóvel a tocar há 10 minutos, ele está pendurado nas minhas pernas a pedir colo e eu estou a (tentar!) preparar um powerpoint... Muitas vezes (tantas, sempre...) quero desligar tudo e viver só com ele, para ele, aproveitar cada segundo e esquecer que é preciso trabalhar!... Nestas férias pensei muito a sério nisso. Que ser freelancer é muito bom, sim. Que me tem permitido gerir os horários para poder estar com o meu filho o mais possível, que posso trabalhar a partir de casa em muitas coisas, que me dá uma liberdade muito maior, que me tem dado um prazer enorme. Mas também percebi que estou cansada, sobretudo de ter que estar muito tempo ao computador e online. Que o que queria mesmo era desligar tudo (outra vez) e apenas viver. Fora de redes sociais e de plataformas. Voltar apenas aos meus cadernos, ao meu papel, às rotinas que me trazem mais felicidade e paz. Vivi 3 anos apenas com e-mail. Sobrevivi. Tive sempre trabalho. Estive sempre com as pessoas que quis (embora também me faltasse o contacto com outras que "perdi" pelo caminho). A vida para mim é lá fora, no dia-a-dia, na relação, no olhar, no toque. Tenho saudades dessa liberdade. E ando a pensar que preciso mudar de vida. Não sei se será já este ano, mas o caminho será para esse equilíbrio que preciso. E a Rita recordou-me, mais uma vez, essa certeza.


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