16/09/14

Acreditar


Porque hoje, mais do que nunca, é preciso acreditar numa janela de esperança...

«Acreditar em todas as crianças.
Acreditar em alguns adultos, mas em todos os que acreditam nas crianças.
Acreditar no que dizem os olhos, porque os olhos nunca mentem, são sempre verdadeiros, e falam de coisas que por vezes a alma não fala, porque não sabe ou simplesmente porque não estão ainda inventadas todas as palavras que dizem o que sentimos.
Acreditar na verdade, embora haja muitas verdades e nunca saibamos bem qual delas é de quem, ou de qual, ou até mesmo para que serve.
Acreditar na justiça, e no que ela separa de bem e de mal, e naquilo que ela serve para que o bem ajude o mal, porque de verdade nunca ninguém permanece sozinho em apenas um dos lados.
Acreditar na paz como a arma mais forte que existe, porque com ela tudo se constrói e mesmo quando ausente dos gestos diários, escondida ou até mesmo desaparecida na guerra, ela há-de voltar pois é coisa absolutamente incontornável.
Acreditar na vida, porque ela é como as estações, e mesmo depois dos dias de mau tempo, a Primavera há-de voltar, sempre diferente, por vezes inesperada (ora precoce, ora tardia), porque mesmo por cima das nuvens a luz continua a brilhar.
Acreditar que nada começa e nada acaba em definitivo, porque tudo se recompõe e há nas coisas todas um sentido que não se explica, porque se explicasse deixava de fazer sentido, e vida sem mistério não é coisa que se viva.
Acreditar que nenhum sofrimento é sem destino, e que tudo quanto é mais difícil agora terá uma qualquer recompensa amanhã, porque vale a pena acreditar que no fim, nem que seja mesmo só no fim, a vida é como um filme que se quer de final feliz.
Acreditar que muitas vezes deixamos de acreditar, porque há coisas injustas ou más ou feias demais para não conseguirmos deixar de dizer: é mentira, isto não devia estar a acontecer.
Acreditar que é possível voltar a acreditar porque nada é um passo sem retorno, nem mesmo a morte, porque de verdade todos continuam vivos na memória uns dos outros enquanto baterem à porta do coração.
Acreditar no amor e em todas as formas de que ele se veste, como a mais simples e bela linguagem universal.»

Pedro Strecht, in "À margem do amor"


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