29/07/14

Para memória





Há já uns dias que ando para escrever. Começo e apago tudo, deixo para mais tarde ou para amanhã. Porque a emoção é muita e o que tenho para agradecer é tanto.

A minha história é só a minha história (e tem o valor que tem para mim e espero que o tenha para o meu filho), mas não é exemplo para ninguém nem pretende ser, porque sei bem que cada um tem as suas circunstâncias e que há muitos fatores que influenciam a vida, para além daquilo que são as nossas escolhas individuais. Por isso é raro falar nela ou dar-lhe muita relevância. Também eu fiquei desempregada, como muitos, há 3 anos. A partir daí, a minha vida deu muitas voltas. Fui mãe pelo meio e, nessa altura, continuar a ser freelancer passou a ser uma escolha e não uma imposição. Foi a forma que encontrei de poder acompanhar o meu filho como sempre quis. Com muitos sacrifícios. Com muitas dificuldades (quando alguém me responde que “é um luxo” hoje em dia acompanhar um filho em casa, eu não sei se ria ou se chore). Com dias loucos em que queria trabalhar, atender telefonemas, enviar e-mails, preparar formação, procurar trabalho e não conseguia. Porque ele estava primeiro. Porque naquele dia não estava bem, queria (mais) colo, atenção, chorava, estava doente. Porque queria apenas brincar. E mesmo com angústia, tudo se fez. Os e-mails lá seguiam, os telefonemas eram adiados mas devolvidos, o trabalho apareceu e houve tempo para tudo o que o meu filho precisava. Dito assim, agora, à distância, parece fácil. Não foi, mas sempre tive bem presente que era uma escolha e que era o melhor para nós. E tem sido, não tenho a menor dúvida. Isso facilitou tudo, sobretudo quando, à noite, o ia ver dormir e só me apetecia chorar (e chorava…) porque me sentia tão imperfeita, em tudo. Mas ele dormia, sereno e com um ar tão feliz que nesse momento sabia que estava tudo bem.

A verdade é que este ano foi tão intenso a todos os níveis que só posso estar grata...

» Grata por termos tido saúde, em primeiro lugar, pois com saúde tudo se faz.
» Grata por termos estado sempre unidos, apesar de todos os dias cinzentos, do tempo que nos fugia pelas mãos, das dificuldades… o amor esteve sempre lá, mais forte que tudo, e o sonho continua. [E se não fosse o apoio sempre incondicional do meu marido para eu fazer tudo o que me realiza nada disto seria possível]
» Grata por ter conhecido tantas pessoas tão maravilhosas, tão bonitas, tão cheias de vida, tão empenhadas em fazer mais e melhor (mesmo com lágrimas, dúvidas ou medos) e por terem arriscado fazer formação e coaching comigo.
» Grata por ter tido tantas oportunidades de crescimento e de desenvolvimento profissional. Aprendi tanto ao longo deste ano!
» Grata por ter tido tantas entidades e pessoas que confiaram em mim e no meu trabalho e me apoiaram sempre, para além de divulgarem o meu trabalho.
» Grata pelas viagens, por todos os sítios que conheci, por todas as estradas que percorri, por o meu carro ter aguentado!
» Grata pelos dias não, pelo cansaço, pela falta de paciência, pelo mau humor, pelas nuvens negras que também tive. Porque me fizeram questionar, repensar e pôr tudo em perspectiva, até voltar reforçar a certeza que é mesmo este o caminho que quero continuar a seguir.
» Grata por continuar a ter fé, esperança e capacidade de sonhar e de fazer o sonho acontecer.

Obrigada a todos os que me acompanharam ao longo deste ano! Não imaginam o que cada um significou para mim e o quanto me marcaram… Para o ano há mais!  


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