13/05/14

Mudam-se os tempos, mantêm-se as dúvidas


Na semana passada estive novamente numa escola, com alunos do 9.º ano, para uma sessão de Educação Sexual. É um dos temas que mais gosto de trabalhar com os miúdos, sobretudo destas idades, pois sei o quão importante é em termos de desenvolvimento.
Procuro que as minhas sessões sejam descontraídas e mais em modo de conversa do que propriamente em modo palestra, embora as escolas ainda tenham alguma tendência para o fazer neste formato. No final, dou sempre espaço para questões e, como já sei que às vezes é difícil expor as mesmas em frente aos restantes colegas, distribuo inicialmente pequenas folhas para todos depois poderem registar as suas dúvidas, de forma anónima. Às vezes, há um ou outro miúdo que diz que se tiver uma pergunta não tem vergonha de a colocar, mas a verdade é que no final, quando recolho as questões, a maior parte fica preocupada se eu vou perceber quem perguntou o quê. É natural, como lhes digo, por vários motivos, um deles pela simples questão da privacidade.
Invariavelmente, as questões passam pela gravidez ("posso engravidar na 1.ª vez?"; "se estiver dentro de água posso engravidar?"...), pelos métodos contracetivos ("como se põe um preservativo?"; "a pílula faz mal?"...) e pelas questões emocionais/relacionais, como é o caso da pergunta da fotografia. Por mais sessões que faça, em diferentes contextos e realidades, as perguntas não diferem muito umas das outras. Curioso. Não deveria hoje haver mais informação? Ou melhor, havendo mais informação, não deveria haver mais conhecimento? Onde vão hoje os miúdos destas idades procurar informação? É verdade que existe hoje uma liberdade e uma forma muito mais aberta de abordar as questões relacionadas com a sexualidade, mas há mitos que persistem e o acesso fácil à pornografia acaba por fazer desta uma referência no que diz respeito à vivência da sexualidade para estes jovens, com tudo o que isso implica.
Mas foi esta pergunta, a da foto, que me deixou a pensar. Por muito que o mundo esteja diferente, há dúvidas que se mantêm. E ainda bem.


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