09/04/14

Regressei à escola

Num destes dias regressei à Escola da Gafanha da Encarnação, para participar na Feira das Profissões, a falar sobre o que é isto de ser psicóloga. Foi uma manhã de chuva, mas em que a escola fervilhava e a alegria dos miúdos era contagiante. Sei que a organização destes dois dias de final de período não são exclusivas dele (há todo um trabalho de equipa que é preciso recordar), mas não posso deixar de louvar o trabalho do Professor Sérgio, que foi meu formando e que admiro imenso. É bom saber que há professores que se dedicam desta forma à escola e, acima de tudo, aos alunos. É preciso proporcionar-lhes atividades diferentes, de exploração e contacto com outras áreas e, neste caso, profissões que eles nem faziam ideia que existiam. Entre tantas profissões tão interessantes e com tanto para mostrar (artesão, construtor naval, bombeiros, oleiro, designer, modista, entre muitas outras), a minha era uma daquelas que poderia parecer mais aborrecida. No entanto, a conversa com os alunos fluiu e foi uma manhã que passou a correr, entre perguntas e respostas sobre o trabalho de um psicólogo.
Eu costumo dizer e cada vez mais tenho a certeza: estes miúdos precisam de nós, adultos. Precisam de conversar. Sem intermediários (ou seja tecnologias). Face a face. Olhos nos olhos. Precisam que os ouçamos. Que olhemos para eles e os vejamos na sua essência e com todas as suas inquietações e angústias. No final de cada turma, houve sempre alguns alunos que ficaram para conversar comigo. Porque tinham algo a dizer e sentiam que ninguém os ouvia. Uma aluna dizia-me que a família dela era louca. Outra que não conseguia expressar o que sentia, mas que precisava porque se sentia muito sozinha. E nós, adultos, o que fazemos? Por onde andamos? Qual é o nosso foco, para deixarmos estes miúdos perdidos desta forma?
Este regresso à escola fez acentuar ainda mais a saudade que tenho de trabalhar com os alunos, todos os dias. Um dia vou regressar, eu sei. Eu acredito. Até lá, há outro trabalho para fazer. Com os crescidos. Tudo é caminho. "Tudo é semente" (Novalis).


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