19/01/14

Silêncio



"O amor continua muito alto,
Muito acima, muito fora
Da vida, muito raro e difícil (...)"

Alexandre O'Neill

Na semana passada, um rapaz de 15 anos suicidou-se, em Braga. Na mesma semana, um jovem de 19 anos foi brutalmente espancado, em Cascais. Não vou expor as situações, já amplamente exploradas pela comunicação social. O que me preocupa é tudo o que está por detrás das duas histórias (e de muitas mais que surgem todos os dias) e que é muito mais profundo do que aparece nos jornais, explorado de forma superficial. São as palavras que se dizem. São os gestos que faltam. São as vozes que calam. São os nossos passos apressados para não ver ou ouvir o que se passa nos recreios, nos campos onde se pratica desporto, nas ruas das cidades ou das aldeias, nas redes sociais virtuais que cada vez mais são reais. A verdade é que "o amor continua muito alto". E, por isso mesmo, apetece gritar: silêncio! É preciso fazer silêncio e ouvir tudo o que tentamos calar ou fazer de conta que não existe. Existe. Está aqui. Mesmo ao pé de cada um de nós. E é preciso agir. Urgentemente. Estes jovens precisam, merecem e têm o direito que o façamos.

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