22/01/14

Contínuo


Quando eu andava na escola, havia contínuos. Hoje são assistentes operacionais. Mudam-se os tempos, mudam-se os nomes. Mas o essencial continua. Porque um contínuo é isso mesmo: algo que permanece, que não se altera, que não se interrompe. E é isso que os funcionários de uma escola fazem: estão lá todos os dias. Para desempenhar as suas tarefas mais práticas, também elas essenciais, mas para muito mais do que isso: eles ouvem, aconselham, ajudam, estão presentes, conhecem como ninguém cada um dos alunos do seu ninho. Porque é assim que muitos (ainda) tratam a escola que consideram como sua também: como um ninho que ampara, protege, mas prepara para a vida e para dar o salto. Cada vez mais respeito estes profissionais e sinto que um dos investimentos a fazer na educação devia ser (também) neles. Na sua formação, mas também na sua participação como parceiros imprescindíveis na formação das crianças e dos jovens. Costumo dizer que sinto uma escola pela forma como sou recebida pelos funcionários, a começar pela portaria. Não me tenho enganado muito. São eles os primeiros a quem pergunto como é a escola, o que sentem nos miúdos, o que acham que é preciso fazer. Os funcionários são reflexo da escola, mas também a fazem. Muitas vezes são, ou parecem, "invisíveis", mas na hora certa eles lá estão, a amparar as quedas e a incentivar os voos.

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