08/10/13

Interpretar


Acontece quase sempre. Quando conhecemos alguém, "tiramos-lhe a pinta", como se costuma dizer. Por olharmos para aquela pessoa durante alguns minutos criamos um filme sobre ela, sobre quem achamos que ela é, e tomamo-lo como garantido. "Tenho a certeza". E é com base nesse filme que fundamos a relação com essa pessoa, muitas vezes fechando os olhos, os ouvidos e o coração àquilo que ela poderá ter para partilhar connosco e que poderá mudar a nossa perspectiva. Nem lhe damos hipótese, pois o nosso "achómetro" sobrepõe-se à nossa disponibilidade para criar relação.

Na verdade, apenas estamos a interpretar, a assumir, a julgar, é algo tão natural que nem pensamos ou questionamos. Mas o que sabemos nós sobre o outro, sobre as decisões que toma, sobre o que quer ou é melhor para si? Este é um dos maiores desafios em Coaching: apagar as interpretações e os juízos de valor e dar espaço para que a pessoa se revele na sua plenitude. Esta é, simultaneamente, uma das maiores vantagens que a pessoa encontra na relação com o Coach: poder ser livre sem estar a ser julgada. O Coach cria com a pessoa uma relação de verdade, de total abertura e disponibilidade, de aceitação perante o que ela é e quer. Desta forma, perdendo os medos e libertando as amarras, o nível de compromisso e de responsabilização aumenta, uma vez que a pessoa assume as rédeas da sua vida, sem estar preocupada com o que os outros vão pensar.
É um grande desafio, mas vale a pena. Experimente disponibilizar-se totalmente para o outro, ouvindo-o verdadeiramente, sem interpretar ou assumir que sabe o que está por detrás daquela atitude, frase ou comportamento. E vai ver como recebe e dá muito mais também!

Sem comentários:

Enviar um comentário