14/05/13

Arrisque!






Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida
Os automobilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.
Medo dos ladrões, medo da polícia.
Medo da porta sem fechadura, ao tempo sem relógios, ao menino sem televisão, medo da noite sem pastilhas para dormir e medo do dia sem pastilhas para despertar.
Medo à multidão, medo da solidão, medo ao que foi e ao que pode ser, medo de morrer, medo de viver.

Eduardo Galeano


 "É o tempo do medo". Este texto foi escrito há mais de dez anos e continua tão atual! De facto, o medo é uma das emoções básicas do ser humano e tem um papel protetor, pois alerta-nos para perigos e ajuda-nos a sobreviver. Logo, é natural que todos sintamos medo face a imensos perigos com que nos deparamos. No entanto, muitas vezes sentimos medos a que podemos chamar de irracionais, ou seja, de situações que não sabemos se irão acontecer, mas que criamos na nossa mente quando nos questionamos sobre que decisão tomar e, como é natural, não saibamos o que nos espera, o que nos deixa inseguros e receosos. Esses medos acabam por nos dominar e por limitar a nossa ação, impedindo-nos de arriscar, o que implica sair da nossa zona de conforto (falaremos noutro post sobre este conceito).

O medo é um dos maiores bloqueadores da ação. Como diz o poema, com medo de tudo, acabamos por nem sequer viver. Viver é (também) correr riscos, enfrentar o desconhecido, lidar com as consequências das nossa opções, descobrir recursos que nunca imaginámos ter e que nos ajudam a lidar com o imprevisto. Enfrentar os nossos medos é uma experiência libertadora, que apenas percebemos se decidirmos arriscar.

Por isso, pense no que pode ganhar se tomar aquela decisão que anda a adiar há tanto tempo, se fizer o telefonema que ainda não fez, se enviar o e-mail que está em rascunho há dias, se disser o que sente, entre tantas outras coisas que tem deixado de fazer por ter medo da sua reação ou da dos outros. Tudo o que imagina que pode acontecer é apenas ficção, só saberá verdadeiramente o que acontece quando o fizer... E tantas vezes o resultado é muito melhor do que imaginávamos! Por isso, de que está à espera? Escreva os seus medos num papel, amasse-o e deite-o no lixo. Depois, arrisque, aja, viva!

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